quinta-feira, abril 01, 2010

Para hoje

Porquê tenho tudo e ao mesmo tempo tudo, que me parece nada, num desconcerto de um quarto vazio com as janelas sujas.

Procuro qualquer réstia de vida e só encontro emoções mórbidas de espantalhos desmazelados. Como estou farto de momentos cinzentos, viro as costas, fecho a porta e procuro outro compartimento, que seja mais claro, com os soalhos limpos e rasgados no tempo.

Respiro.

Transmonteites!

As transmontanas vêm amanhã! Já não nos vemos desde o Verão.
Não vai haver vinho, nem presunto dos Castros... Temos de arranjar um sítio e coisas para fazer.
Tenho tido imensas saudades de Trás-os-Montes. Da paisagem, das pessoas, sobretudo. Do jeito carrancudo, bruto e desprotegido de caralhos e foda-se's. Das caminhadas, das escadas no nosso prédio, das tardes quentes de ténis, das pessoas à volta da mesa, das andorinhas que me cagavam o carro e das cobras, das águias, do Douro!
Tenho saudades daquela essência que os de lx não demosntram.

Gente fria.
Gente estranha.
Gente!


Cá vos espero! Não pensem que vou andar nas lojas. XÔ!

Glau glu-glu

Hoje os rapazes do secundário vão para os copos!
O T. vem buscar-me a casa, quod scriptum est!
Quem quiser que apareça na Pousada.

Natus

Aos 16 dias de Novembro, abri, pela primeira vez, as portas da casa do Alentejo. Cheirava a mofo, com restos de vidas inacabadas. Vivia-se, sentia-se e há mais de 15 anos tudo acabara.

Na sala, as plantas tinham morrido, juntamente com os insectos e com a luz. Tudo era sombrio e convalescente. Sentei-me no sofá rasgado e imaginei a lareira acesa. Serrei os olhos. Não consegui imaginá-la, pois o cheiro a humidade entrava-me por dentro da roupa obrigando-me a coçar de 5 em 5 segundos.

Parei,

Pensei,

Não consegui imaginar mais nada. Tinha de abrir as janelas e arrastar o lixo para dentro dos sacos.

Foi o meu primeiro dia de vida.



(continua)

Sol

Vou à rua para que deixe de pensar nas palavras. Há sol na minha cidade e as rotundas devem estar verdes. Se não houver flores, imaginá-las-ei.

Esquecido

Sinto, quando fecho os olhos, os beijos apertados, que eram percorridos com os nossos lábios e a força acetinada das nossas línguas, que se esfregavam, sinuosas e quentes, dentro dos nossos sentidos.

Eram sentidos, não o particípio, mais um substantivo que possui várias formas e que todas, numa sinestesia deixava-me em êxtase. Também sinto a tua respiração. E sinto outras coisas. Mas também sinto a ausência.

Sou sôfrego.

Apaixonado e congelado em pequenos momentos.

Continuo no sofá a tua espera,

Mas passas,

Abres a janela,

Fumas o cigarro olhando a rua.

Beijos?

Faz-me falta os beijos, nem que seja no sofá desalinhado, sem almofadas.

As palavras ditas têm sabor a garrafas de gin, abertas e esquecidas no chão. São palavras, sem toda a energia que lhes devia conter. Olho-te e sinto que a energia vai-se, ou acomoda-se pelo calor do quotidiano, que nos meus olhos são poças de água estagnadas .

Quero rios,

Quero momentos

Vividos

Surpreendidos

Como os beijos que guardo na memória.

quarta-feira, março 31, 2010

In Viseu

Ao fim de duas semanas de muito trabalho, reuniões e copos, meti-me no NG e vim para Viseu.

Da viagem, tentei fazer um paralelo com as que fazia quando regressava de Trás-os-Montes. Impossível… O sentimento de regresso à casa é, de facto, similar… a vontade que os kms avancem à medida que as curvas apareçam, que consiga sentir o cheiro a lenha das lareiras da minha aldeia e a casa cheia e barulhenta. Em vez de uma manta de retalho em tons de verde, castanho e de barro, das curvas sibilantes pelos montes, o rosmaninho que nasce por entre as pedras, dando uma tonalidade púrpura à beira da estrada, tenho, sem piedade, o alcatrão cinza e molhado.

Quando me perguntaram o porquê ser professor, respondi pelo amor ao ensino, pelos olhinhos e as bocas frenéticas numa sala de aula e, não menos importante, por poder conhecer o meu país. Sinto-me itinerante, de mochila às costas ( metaforicamente ) e realizado. Pode parecer redundante a história do feliz profissionalmente realizado, mas é o que é.

Vou dar uns beijos no meu sobrinho e ver uns quantos filmes que tenho aqui na estante da sala.

domingo, março 28, 2010

Uma família especial :)

Eu não quero ser um galo no fim da vida!
E tu, queres ser um jacaré macho que põe ovos?
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A tarde foi hilariante.

quarta-feira, março 24, 2010

Auguri

Tinha uma mensagem. Tentei telefonar e passados alguns minutos recebi a chamada.

Estás a aproveitar a formação, pareces feliz e contente com o teu destino e eu fico contente.

Que tenhas sempre sorte na vida e que brilhes, pois és uma estrela!

Parabéns.

Trabalho, trabalho, trabalho! :)

Acordei sem nenhum tiro e meti-me em 5 minutos na POC. Tinha as conjunções e locuções coordenativas para dar, testes para entregar e duas reuniões de departamento.

Por norma, cada docente pertence a um único departamento, mas, como sou diferente dos outros, pertenço a dois. A primeira reunião foi pesada com decretos, estratégias educativas e balanço das actividades do 2º período e projecções para o 3º. Não tivemos hora de almoço, mas como uma colega fazia anos, a condenadora autorizou-nos a fazer um almoço-festa. Lá estivemos nós a beber sangria de frutos silvestres, licoroso, tinto, a comer queijo, salgados e bolo de aniversário, ao fim de cantarmos um “Parabéns a você”, em gregoriano. Três ex seminaristas e um homem de clássicas… que figura. Não me recordo muito do meu tom, só sei que sentia uma onda sobre os olhos e peixinhos a nadarem sobre eles.

A segunda, a do outro departamento, que eu aspiro para o próximo ano, foi mais leve. Cheguei atrasado, a comer chocolate. Sentei-me sugadito, do lado da coordenadora, de boca fechada para não se notar o bafo. Fui destacado a fazer a Prova Globalizante, e respectivos objectivos, para o 5º ano de L.P.. Mas esta não foi a melhor parte. Foi quando ela disse alto, como lhe é característica a voz,

Não se esqueçam de entregar os relatórios do PNL ao coordenador!

Soube-me a ginja, isto se ainda caberia álcool dentro de mim ;)

Agora, preparo as auto-avaliações para amanhã. Tenho os níveis todos!

 Sobre a mão Se pegasses na minha mão e me guiasses pelo Parnaso, Os meus dias seriam menos sedentos e sombrios, Sem os espasmos de sofr...