


O filme é um daqueles aparentes clássicos natalícios, cheios de emoção, carinho e até alguma dor. O elenco não podia ser melhor, com uma fantástica pronúncia britânica e dois corpos bronzeados em terras londrinas!
Fala sobre o amor, mas não um amor banal, daqueles que nasce de uma convivência universitária ou de engates nocturnos, a beira de um balcão cheio de restos de cerveja e absinto. Ele fala-nos de amores nascidos da renúncia do próprio amor, da fuga do sentimento, da renúncia das emoções e, até mesmo, no fim, do encontro e na mistura de sensações que outrora foram esquecidas.
Voltei para casa a conduzir pelo retrovisor... o olhar para o caminho que eu deixava para trás num esquecimento, apagado pela luz da noite, que ia desvanecendo em cada metro que fazia. A estrada para minha casa faz um túnel de cedros que me parecia afunilar todo o trajecto. Sem luz e com um passado esquecido, ou com propensão para tal.
Há coisas que nos fazem pensar, reflectir sobre assuntos passados. O filme foi um deles. Porque não largar as coisas que tantos nos fazem sofrer? Porque não tomar coragem e vocalizar tudo aquilo que temos dentro de nós, sem nos importarmos, verdadeiramente, com as opiniões adversas?!
A felicidade é um caminho que pode ser percorrido com companhia, mas enquanto não estivermos bem com nós próprios, todos os caminhos serão afunilados, sombrios e com um passado obscuro.
Fica uma dica, para mim mesmo: não tires férias, vai ao encontro daquilo que sempre quiseste. Se não encontrares, senta-te, descansa e reflecte, para que a próxima caminhada seja menos morosa.
Um beijo e, se tiverem a oportunidade, vão ver o filme.